Minta Que Eu Te Escuto
Minta Que Eu Te Escuto
Existem pessoas que mentem compulsivamente, criando estórias fantásticas sobre suas vidas, mas quando questionadas, esbravejam como se tais fatos fossem possíveis. Uma amiga psicóloga me disse que isto é uma disfunção que, dependendo do nível, não faz mal algum.
Pessoalmente, gosto muito de conversar com estas pessoas, seus contos são fantásticos, cheios de criatividade e detalhes que deixam no chão muitos dos escritores famosos de ficção, por vezes chego a estimular a continuidade das estórias apenas para ver até onde a imaginação destes nobres indivíduos pode ir.
Em homenagem a estes contadores de história, vou registrar aqui em uma trilogia, algumas de suas fictícias peripécias, apesar de verdadeiras para seus criadores.
Seu apelido é Gato, foi dono de um dos bares mais místicos que já passaram pela Avenida Dr. Freitas, o Taj Mahal, local donde nossa turma de juventude parava para ouvir suas estórias, sentávamos a sua volta e começavam os contos, alguns contados e re-contados até hoje, como o que se encontra a seguir.
A Mira Perfeita
- Antes de eu ser dono de bar, eu já contei pra vocês que fui motorista de caminhão?
- Não, dessa a gente não sabia – comenta um dos moleques que estavam na roda.
- Pois é, eu fui motorista de caminhão de refrigerante, andava de um lado para o outro cheio de engradados de refrigerante. Teve uma vez que eu estava atrasado para fazer uma entrega, lá pras bandas da BR-316, eu corria a
- E ai Gato, o que aconteceu?
- Rapaz, eu estava saindo de Belém quando eu descuidei e acertei uma lombada com tudo, foi um salto! O Pior foi quando olhei pelo retrovisor esquerdo, vi duas garrafas de Coca-Cola no ar, elas tinham saído voando com o solavanco.
- Elas acertaram alguém?
- Tá maluco! Se quebrassem eu ia ter que pagar do meu bolso, com a situação de grana que eu andava, não pensei duas vezes, freei bruscamente, engatei a ré e coloquei o caminhão na posição certinha, as garrafas caíram certinho no engradado delas, não quebrou nadinha!
- Ah Gato, como é que você sabia de qual engradado as garrafas tinham saído? E a posição do engradado?
- Benhê! – chama Gato por sua esposa – Não foi que eu coloquei de volta as garrafas de refrigerante?
- Foi bem – responde pacientemente a mulher do contador de histórias – você acertou certinhho.
- Ainda não estou entendendo como você conseguiu!
- MOLEQUE! – esbraveja gato – Tu ta dizendo que eu estou mentindo?!
- Não, eu só queria entender como foi.
- Motorista que se garante faz estas coisas no instinto!
- Ah, entendi...
(Na próxima edição: Super Máquina)
Escrito por Cássio Marins às 19h58


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